11 novembro 2016

Trump?

Assim ganhou Trump.

Não foi suficiente una campanha mediática como nunca vista antes contra um candidato presidencial; não foi suficiente o apoio de Barack Obama; nem foram suficientes os milhões de Wall Street ou das grandes corporações.

Trump ganhou na mesma e ganhou bem: não apenas segurou o Congresso (a partir de agora em mãos republicanas), como também conseguiu vingar em Estados que do ponto de vista democrata eram dados como "certos" (é o caso do Wisconsin).

Surpresa? Sim. A vitoria da Clinton parecia óbvia, ai ponto que a ultima sondagem de ontem dava Hillary em vantagem de três pontos percentuais. Claro, havia quem, como Michael Moore, previa o triunfo de Trump, mas eram sempre vozes fora do coro.

Hoje as reacções. Circula a teoria segundo a qual Hillary perdeu porque depois dum Presidente negro os americanos não queriam um inquilino da Casa Branca mulher. É uma explicação infantil e superficial. A Clinton perdeu por causa das suas incapacidades: não conseguiu afastar-se da imagem de pessoa ligada ao establishment, aos interesses das grandes corporações; não conseguiu criar-se uma imagem original, apostou na continuidade. Mas hoje os democratas constituem, paradoxalmente, a vertente política mais conservadora do Pais, os mais ligados a elite (da qual, de facto, a Hillary faz parte).

Trump, pelo contrario, è o homem "novo": nunca foi eleito, nunca ocupou cargos políticos e representa uma ruptura com a continuidade sugerida pelos Democratas. Estes poderiam ter ganho as eleições e já tinham em casa o cavalo vencedor: Bernie Sanders. Mas apostar em Sanders teria significado por em causa a actual linha do partido, perdendo assim o apoio de Wall Street.

Outro grave erro dos Democratas foi apresentar um programa demasiado articulado, complexo. Pode parecer incrível, pois no abc do político esta claramente escrito que as mensagens aos eleitores devem ser curtas e claras. O problema é que a tal complexidade foi necessária para disfarçar o arrepiante "nada" que o programa democrata continha.

Vice-versa, as declarações de Trump eram sim muitas vezes no limiar do delírio, mas eram extremamente simples. E, ainda mais importante, enfrentavam aqueles temas que nesta altura mais conseguem despertar as atenções e o interesse dos eleitores: nada de ideologia, mas sim carteira e uma alegada maior segurança.

A terrível campanha mediática anti-Trump tem funcionado a favor do candidato: demasiado óbvio entender donde vinha o dinheiro e as ordens para condicionar a opinião publica e favorecer a Clinton. Até o facto duma boa parte do Partido Republicano ter desmentido o seu próprio candidato tem sido uma vantagem: ai Trump demonstrou ser um independente, fora dos jogos políticos. 

Os círculos intelectuais das grandes cidades tem sido atropelados pelos votos das zonas rurais: é dai que chega o maior numero de voluntários para as inúmeras (e inúteis) guerras americanas ao redor do mundo nos últimos anos; é ai que o desemprego dói mais porque menores são as possibilidade de encontrar trabalho.

A leitura mais simples, e que agora muitos não querem admitir, é aquela acertada: os eleitores estão fartos de Washington, tanto da parte democrata quanto daquela republicana; puseram as ideologias no sótão e escolheram um candidato (aparentemente) anti-sistema, com poucas mas claras ideias. Feitas as contas, é o mesmo clima que é possível respirar na Europa, com a Le Pen em França, Cinque Stelle em Italia, Podemos em Espanha, etc. Trata-se do mesmo fenómeno.

Elite debaixo do fogo? Sim. Seja uma atitude genuína, seja uma atitude "pilotada", o resumo é este. Doutro lado, é claro para todos que o actual sistema é a prazo e que a contagem decrescente já iniciou. Portanto, há a absoluta necessidade de encontrar outro caminho.

Mas será realmente "pilotada"? Na minha òptica a resposta é não. Uns EUA fora dos grandes tratados globais de comercio em nada favorecem as corporações, tal como uma União Europeia em desagregação. O fracasso da Clinton é a derrota da globalização.

Não sabemos ainda se Trump implementará as medidas apresentadas no seu programa. Difícil que assim seja, também porque os EUA têm uma longa tradição de Presidentes mortos prematuramente (mas com Trump pode ser suficiente extrair um dos muitos esqueletos do armário dele). Todavia, o sinal é forte e os fregueses de Wall Street não podem ignora-lo: com a Clinton tudo teria ido em frente exactamente como agora, após a vitória de Trump será preciso mudar.

E esta pode verdadeiramente ser uma boa noticia.
Para já ficamos com:
  1. Moscovo que tem ajudado Trump durante a campanha eleitoral, o que significa possibilidades de guerra mais reduzidas. Já isso não deixa de ser simpático.
  2. Hillary Clinton derrotada e lívida. E esta é uma daquelas coisas que não têm preço...

Ipse dixit.

03 novembro 2016

Interrupção

Pessoal, lamento informar que Informação Incorrecta ficará parada ao logo de uns tempos.

Não costumo partilhar a a minha vida pessoal no blog, mas esta é a segunda vez que I.I. pára em pouco tempo e acho justo que todos os Leitores que costumam acompanhar-me com carinho saibam as razões daquele que poderia parecer como um desinteresse por minha parte no blog. Nada disso: mesmo hoje recebi a notícia de que a minha mãe está a morrer e desejo estar-lhe perto nos seus últimos dias.

Foi esta a razão pela qual me ausentei durante alguns meses do Verão: depois as coisas pareciam bem encaminhadas, então voltei para Portugal. Mas hoje chegou o veredicto final. Infelizmente há coisas que acontecem, que não podemos controlar.

Vou tentar escrever algo desde Italia. Se calhar parece insensível, mas acho que poderia ser uma forma de "distrair-me" ao longo duns minutos durante o dia. Veremos.

Mais uma vez, peço desculpa pelo incómodo e obrigado a todos pela paciência.


Max

02 novembro 2016

Hillary Clinton e a Irmandade Muçulmana

O sempre óptimo sito Voltaire.net publica uma análise do jornalista Thierry Meyssan, que do sito é
também um dos co-fundadores.

Assunto: a investigação do FBI acerca dos mails de Hillary Clinton.

Não é apenas uma questão de descuido, não se trata de ter aberto mensagens sem as idóneas medidas de segurança. Há mais do que isso: quais os verdadeiros relacionamentos entre a Administração democrata de Washington e a organização terrorista árabe?

Dado que Voltaire.net ainda não publicou a versão portuguesa do artigo, eis a tradução completa:

Voltaire.net

A partir de hoje, na coluna de direita, é visível a ligação que permite o acesso à página do blog onde é presente um widget de Voltaire.net.

O widget recolhe os títulos e as primeiras linhas dos últimos artigos publicados em idioma Português no site do jornalista Thierry Meyssan: trata-se portanto duma antecipação dos artigos, cuja versão completa pode ser lida ao clicar nos títulos dos mesmos.

Uma utilidade que espero seja bem-vinda pelos Leitores de Informação Incorrecta.


Ipse dixit.

01 novembro 2016

O que é o populismo

O que é o "populismo"? Por qual razão há cada vez mais movimentos políticos acusados de ser "populistas"?

O populismo (do Inglês populism, tradução do Russo narodničestvo) é uma atitude política e cultural que exalta princípios e programas geralmente baseados no Socialismo, mas não numa forma específica do mesmo.

Na América Latina designa um conjunto de práticas políticas que consiste no estabelecer uma relação directa entre as massas e uma liderança política sem a mediação de instituições políticas como os partidos. Em qualquer caso, o termo é utilizado em forma menosprezativo: os movimentos acusados de ser populistas recusam tal adjectivação.

31 outubro 2016

Wikipédia inglesa: a história rescrita


Uma curiosidade: como é que as vária sversões de Wikipedia descrevem a Guerra do Ópio?

A versão portuguesa, tal como aquelas italiana e espanhola também, dedicam páginas que enquadram os eventos do ponto de vista histórico, onde são explicadas as causas do conflito e é realçado o papel dos Ingleses no comércio ilegal do Ópio.

E a versão inglesa? Aqui vai a tradução total da página Opium Wars (Guerras do Ópio em inglês):
As Guerras do Ópio foram duas guerras que envolveram disputas anglo-chinesas sobre o comércio britânico na China e a soberania da China em meados do século 19º. As disputas incluiu a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) e a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). As guerras e os eventos entre as guerras enfraqueceram a dinastia Qing e forçaram a China ao comércio com o resto do mundo.

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte II

Rodrigo Duterte
No final do último Verão, o Presidente Rodrigo Duterte anuncia que os próximos exercícios
militares conjuntos entre Filipinas e Estados Unidos serão os últimos, apesar do tratado de defesa assinado em 1951 ainda continuar a ser valido. Válido sim, mas por quanto tempo?

Poucas semanas depois, Duterte voa para Pequim, onde assina vários acordos comerciais com o Presidente chinês, Xi Jinping, e anuncia a "separação" dos EUA e o realinhamento das Filipinas com China e Rússia:
Eu me realinho com o seu [o chinês, ndt] fluxo ideológico e talvez irei para a Rússia também para conversar com Putin e dizer-lhe que há três de nós contra o mundo: China, Filipinas e Rússia. É a única maneira.
Manila, Pequim e Moscovo contra o resto do mundo: não apenas o plano para a Ásia de Barack Obama fracassou, mas entra em colapso todo o andaime geopolítico que mantive a hegemonia dos Estados Unidos no Sudeste asiático durante mais de setenta anos.

30 outubro 2016

Vacinas: a Fundação Gates e as mortes

Antes que o Leitor comece a desconfiar, aqui vai o aviso: os factos relatados neste artigo não são o
fruto dum blogueiro conspirador mas têm como fontes diários bem conhecidos e lidos por centenas de milhões de pessoas. Podem consultar a lista dos links mais à frente.

Por qual razão o diário do vosso País não trata destes assuntos? Boa pergunta. Porque não experimentam perguntar isso directamente ao diário?

E agora vamos aos factos.

A Fundação, a Merck, a GlaxoSmithKline

A Fundação Bill e Melinda Gates é apreciada em todo o mundo pela sua alegada filantropia, mas a maioria das boas obras não passam de experiências de vacinas realizadas sobre os pobres sem o consentimento deles. Sob o pretexto de prestar cuidados de saúde em Países do Terceiro Mundo, a Fundação Gates força dezenas de milhares de crianças a experimentar diferentes vacinas por conta das empresas farmacêuticas.

Poderia ser uma coisa simplesmente enervante: mas como há mortos nesta história, o panorama muda.

28 outubro 2016

Filipinas: fora da órbita EUA - Parte I

É verdade: a permanência de Barack Obama na Casa Branca está a concluir-se na pior das maneiras.

Já nem se fala em Guantanamo (fecha? Não fecha? Era uma das promessas eleitorais), agora o que está em jogo é  o desligamento do Oriente Médio e da Europa para uma maior foco no Pacífico.

A ideia era cercar a China, limitar a expansão de Pequim, meta estratégica declarada desde 2011, formar um cordão de contenção, assim como tinha feito o império britânico com a Alemanha nos tempos idos. Para a implementar este plano, Washington contava com os habituais aliados anglo-saxões (Austrália e Nova Zelândia), os tradicionais parceiros do Pacífico (Japão, Coreia do Sul e Filipinas) e algumas novas aquisições de lealdade duvidosa, entre os quais Vietnam e Birmânia.

O projecto já avançava com dificuldade durante anos, pois Washington não conseguia livrar-se do Médio Oriente (doutro lado, quando se escolhem como aliados dois Países como israel e Arábia Saudita...), mas em Fevereiro 2016 Obama consegue uma vitória; a assinatura da Trans-Pacific Partnership, a zona de livre comércio entre alguns de Países asiáticos em detrimento da China. Participam Japão, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia, Singapura e Vietname. Não propriamente um triunfo mas um passo na direcção traçada.

Nem passam três meses e eis o colapso da arquitetura tão meticulosamente construída: em Maio de 2016 nas Filipinas é eleito Rodrigo Duterte qual novo Presidente do País. Uma surpresa, que retira o arquipélago da órbita de Washington e atira-o para os braços da República Popular da China.

27 outubro 2016

O Universo dos ratos

Em 1962, o pesquisador norte-americano John B. Calhoun construiu o habitat ideal para os ratos. Um lugar onde as cobaias nunca deve ter que se preocupar com nada: comida, água e abrigo disponíveis para todos. Um Utopia para roedores, baptizado Universo 25, que dentro de um ano atingiu o seu pico.

Calhoun era um etólogo conhecido por via dos seus estudos sobre a densidade populacional e os efeitos que este factor tem sobre o comportamento. Argumentou que os resultados obtidos com ratos foram uma previsão sobre o futuro da humanidade e, de facto, na altura a experiência foi impactante.

Mas vamos ver quais as características do estudo e quais os resultados imediatos. Porque esta experiência é um pilar dos que apresentam o futuro como um pesadelo onde nem há espaço para mexer-se.

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...